
A missão desafiadora do próximo presidente
Por Samuel Sales Saraiva
A lealdade ao Brasil, aos princípios republicanos e à responsabilidade presidencial deve prevalecer sobre interesses partidários, pessoais ou circunstanciais.
O verdadeiro desafio começa depois da eleição
A vitória nas urnas é apenas o primeiro passo. O teste decisivo de um presidente começa na escolha daqueles que o acompanharão no exercício do poder.
Formar um ministério exige muito mais do que acomodar partidos ou recompensar alianças. Exige encontrar pessoas que reúnam competência, experiência, independência intelectual, ética, decência, equilíbrio e capacidade de diálogo.
Programas eleitorais podem expressar preocupações legítimas da sociedade, mas boas intenções não garantem bons governos. Entre a promessa e a realização existe uma distância que somente a qualidade das escolhas presidenciais pode reduzir.
A crise brasileira também é uma crise de confiança
Décadas de ineficiência, desperdício, burocracia excessiva e estruturas políticas resistentes à renovação produziram profundo desgaste da confiança pública.
O próximo presidente terá, portanto, uma responsabilidade que ultrapassa sua própria base eleitoral: governar para todos os brasileiros, inclusive para aqueles que votaram contra ele.
Isso exige superar a lógica das trincheiras políticas. A divergência não é inimiga da democracia; é parte dela. O equilíbrio, a serenidade e o respeito às diferenças precisam voltar a ser instrumentos normais da vida republicana.
Álvaro Dias e o valor da experiência pública
Nesse contexto, nomes capazes de dialogar além das fronteiras partidárias merecem consideração.
A trajetória de Álvaro Dias, registrada na obra A Travessia, reúne cinco décadas de experiência na vida pública e oferece elementos para uma reflexão profunda sobre atributos como independência, diálogo, disciplina administrativa e compromisso com os princípios republicanos.
O fato de seu nome transitar com naturalidade por diferentes campos políticos demonstra, por si só, a importância de se valorizar quadros capazes de construir consensos acima das divisões partidárias.
O governo não é patrimônio de quem venceu
Uma vitória eleitoral não transforma o Estado em propriedade do vencedor.
Dinheiro público pertence ao cidadão. Ministério não é prêmio político. Divergência de pensamento não é traição.
O verdadeiro tamanho de uma vitória presidencial será medido pela capacidade de transformar autoridade política em responsabilidade pública.
A travessia que o Brasil precisa fazer
Talvez a mais difícil travessia brasileira não seja eleitoral, mas ética: passar da conquista do poder para o exercício responsável do poder.
Presidentes passam. Partidos passam. Mandatos terminam.
O Brasil permanece.
E sua estabilidade futura dependerá da capacidade de substituir o confronto permanente pelo diálogo, o sectarismo pela tolerância e a conveniência política pela responsabilidade intransigente com a Nação.
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