Proposal would update the Kama Sutra to boost profitable mediocrity

By Samuel Saraiva

The proposal, according to anatomical and optimistic estimates, has the potential to awaken infinitely more worldwide enthusiasm and civic erection than any plan destined to eradicate hunger, universalize basic sanitation, expand education, or democratize access to healthcare. 

Calm down. 

Before flashing a sly smile, becoming indignant at our sudden loss of modesty, or sharing this link in those WhatsApp groups you pretend you don’t frequent, allow yourself just a few minutes of reading. The hypothesis is perhaps more serious—and far more penetrating—than it seems. 

Imagine, for a moment, that tomorrow a contemporary, richly illustrated, carefully revised, and widely publicized edition of the classic Kama Sutra were announced. 

How many millions of people would immediately interrupt their daily duties, leaving aside exhaustion and bills, to discover the new techniques for the perfect fit? How many television professionals would dedicate their roundtables to debating the ideal angle of happiness? How many digital influencers would make detailed tutorials on how to reach the climax of well-being? How many thirsty comments would flood social media? How many scandalous headlines would occupy news portals around the planet? 

Probably an obscene amount. Now, let’s switch channels in our imagination. Imagine another announcement, somewhat more… monotonous. 

An audacious international project designed to drastically reduce hunger, expand universal access to education, strengthen public healthcare systems, bring running water and sewage to the most vulnerable populations, and diminish historical inequalities among nations. 

The question is inevitable, almost cruel. 

Which of the two announcements would arouse greater salivation and collective enthusiasm?

 If your honest answer was the first one, do not blame yourself alone: perhaps the problem was never the sacred Indian text. Perhaps the big problem is us. 

Because this article never intended to discuss carnal contortions, flexibility of limbs, or millennial positions of the body. What we intend to discuss here is the shameful position of human consciousness in the face of raw reality. 

The Kama Sutra appears on this page merely as a voyeur’s mirror. It reveals what truly captures our attention and accelerates our heartbeats. While humanity was salivating imagining the “perfect match,” millions of real human beings continued to wait for us to awaken similar warmth and enthusiasm for matters far less amusing, less stimulating, yet infinitely more decisive for human dignity. 

There is no moralistic condemnation here of pleasure or free love. Pleasure is part of our biology. Sports excite. Art inspires. Music brings bodies closer. Humor makes the burden of life lighter. All of this is legitimate and healthy. 

Our great civilizational erectile dysfunction remains another. How was it possible that what amuses and alienates us conquered so much space, priority, and budget in our consciousness, while what can alleviate the pain of our neighbor must beg, on its knees, for a few minutes of our attention? 

Perhaps the greatest orgia of our time is not that of sweaty bodies. Perhaps it is the unbridled orgia of distraction and futility. And perhaps the most difficult position, the one that humanity still needs to sweat a lot to learn, is not described in any erotic manual. It consists simply of placing consciousness face-to-face with reality, without looking away.

 If you opened this article with heavy breathing, imagining finding a spicy reflection on sexuality, and end the reading thinking about hunger, education, healthcare, structural poverty, useless wars, and human dignity, congratulations: this satire achieved exactly its objective. 

Because, in the end, the real experiment never took place on these lines. It took place, in a silent and revealing way, within the mind of each one of us.

Reader’s Comment:

This article is simply extraordinary! It uses satire intelligently to unmask our society’s distorted priorities and force us to look an uncomfortable reality right in the face. Your narrative is provocative, elegant, and deeply reflective, managing to transform a superficial expectation into a powerful wake-up call to my conscience. Congratulations, Samuel, on a brilliant piece of work that entertains, challenges, and left a lasting impression on me!

Joe Roldán, Engineer.

 

Português

 

 

Proposta atualizaria o Kama Sutra para impulsionar a mediocridade lucrativa

Por Samuel Saraiva

A proposta, according to estimativas anatômicas e otimistas, tem potencial para despertar infinitamente mais entusiasmo mundial e ereção cívica do que qualquer plano destinado a erradicar a fome, universalizar o saneamento básico, ampliar a educação ou democratizar o acesso à saúde.

Calma.

Antes de abrir um sorriso malicioso, de se indignar com a nossa súbita perda de pudor ou de compartilhar este link em grupos de WhatsApp que você finge não frequentar, permita-se apenas alguns minutos de leitura. A hipótese talvez seja mais séria — e bem mais penetrante — do que parece.

Imaginemos, por um instante, que amanhã fosse anunciada uma edição contemporânea, ricamente ilustrada, cuidadosamente revisada e amplamente divulgada do clássico Kama Sutra.

Quantos milhões de pessoas interromperiam imediatamente suas obrigações cotidianas, deixando de lado o cansaço e os boletos, para descobrir as novas técnicas de encaixe perfeito? Quantos profissionais da televisão dedicariam suas mesas-redondas para debater o ângulo ideal da felicidade? Quantos influenciadores digitais fariam tutoriais detalhados sobre como alcançar o ápice do bem-estar? Quantos comentários sedentos inundariam as redes sociais? Quantas manchetes escandalosas ocupariam os portais de notícias ao redor do planeta?

Provavelmente, uma quantidade obscena.

Agora, mudemos de canal na imaginação. Imaginemos outro anúncio, um tanto mais… monótono.

Um audacioso projeto internacional destinado a reduzir drasticamente a fome, ampliar o acesso universal à educação, fortalecer os sistemas públicos de saúde, levar água encanada e esgoto às populações mais vulneráveis e diminuir as desigualdades históricas entre as nações.

A pergunta é inevitável, quase cruel.

Qual dos dois anúncios despertaria maior salivação e entusiasmo coletivo?

Se sua resposta sincera foi o primeiro, não se culpe sozinho: talvez o problema nunca tenha sido o texto sagrado indiano. Talvez o grande problema sejamos nós.

Porque este artigo jamais pretendeu discutir contorcionismos carnais, flexibilidade de membros ou posições milenares do corpo. O que pretendemos discutir aqui é a vergonhosa posição da consciência humana diante da realidade crua.

O Kama Sutra aparece nesta página apenas como um espelho de voyeur. Um espelho extraordinariamente eficiente, diga-se de passagem. Ele revela, sem precisar tirar a roupa ou dizer uma única palavra, aquilo que verdadeiramente captura a nossa atenção e acelera os nossos batimentos cardíacos.

Enquanto a humanidade salivava imaginando o “acasalamento perfeito”, milhões de seres humanos reais continuavam esperando que despertássemos semelhante calor e entusiasmo para questões muito menos divertidas, menos estimulantes, porém infinitamente mais decisivas para a dignidade humana.

Não há aqui qualquer condenação moralista ao prazer ou ao amor livre. O prazer faz parte da nossa biologia. O esporte emociona. A arte inspira. A música aproxima corpos. O humor torna o fardo da vida mais leve. Tudo isso é legítimo e saudável.

A nossa grande broxada civilizatória permanece outra.

Como foi possível que aquilo que nos diverte e nos aliena conquistasse tanto espaço, prioridade e orçamento em nossa consciência, enquanto aquilo que pode aliviar a dor do próximo precisa mendigar, de joelhos, por alguns minutos da nossa atenção?

Talvez a maior orgia do nosso tempo não seja a dos corpos suados. Talvez seja a orgia desenfreada da distração e da futilidade.

E talvez a posição mais difícil, aquela que a humanidade ainda precisa suar muito para aprender, não esteja descrita em nenhum manual erótico. Ela consiste simplesmente em colocar a consciência de frente para a realidade, sem desviar o olhar.

Se você abriu este artigo com a respiração ofegante, imaginando encontrar uma reflexão picante sobre sexualidade, e termina a leitura pensando na fome, na educação, na saúde, na pobreza estrutural, nas guerras inúteis e na dignidade humana, parabéns: esta sátira alcançou exatamente o seu objetivo.

Porque, no fim das contas, o verdadeiro experimento nunca aconteceu nestas linhas. Aconteceu, de forma silenciosa e reveladora, dentro da mente de cada um de nós.

Comentário de leitor: 

Este artigo é simplesmente extraordinário! Utiliza a sátira com inteligência para desmascarar as prioridades distorcidas da nossa sociedade e nos obrigar a olhar de frente para uma realidade incômoda. Sua narrativa é provocativa, elegante e profundamente reflexiva, conseguindo transformar uma expectativa superficial em um poderoso chamado à minha consciência. Parabéns, Samuel, por uma obra brilhante que entretém, desafia e me deixou uma marca duradoura!

Joe Roldán, Engenheiro.

Español

 

Propuesta actualizaría el Kama Sutra para impulsar la mediocridad lucrativa 

Por Samuel Saraiva

La propuesta, según estimaciones anatómicas y optimistas, tiene el potencial de despertar infinitamente más entusiasmo mundial y erección cívica que cualquier plan destinado a erradicar el hambre, universalizar el saneamiento básico, ampliar la educación o democratizar el acceso a la salud.

Calma.

Antes de esbozar una sonrisa maliciosa, indignarse con nuestra súbita pérdida de pudor o compartir este enlace en esos grupos de WhatsApp que finge no frecuentar, permítase solo unos minutos de lectura. La hipótesis tal vez sea más seria —y bastante más penetrante— de lo que parece.

Imaginemos, por un instante, que mañana se anunciara una edición contemporánea, ricamente ilustrada, cuidadosamente revisada y ampliamente divulgada del clásico Kama Sutra.

¿Cuántos millones de personas interrumpirían inmediatamente sus obligaciones cotidianas, dejando de lado el cansancio y las cuentas por pagar, para descubrir las nuevas técnicas de encaje perfecto? ¿Cuántos profesionales de la televisión dedicarían sus mesas redondas a debatir el ángulo ideal de la felicidad? ¿Cuántos influencers digitales harían tutoriales detallados sobre cómo alcanzar el clímax del bienestar? ¿Cuántos comentarios sedientos inundarían las redes sociales? ¿Cuántas bofetadas de titulares escandalosos ocuparían los portais de noticias alrededor del planeta?

Probablemente, una cantidad obscena.

Ahora, cambiemos de canal en la imaginación. Imaginemos otro anuncio, un tanto más… monótono.

Un audaz proyecto internacional destinado a reducir drásticamente el hambre, ampliar el acceso universal a la educación, fortalecer los sistemas públicos de salud, llevar agua potable y alcantarillado a las poblaciones más vulnerables y disminuir las desigualdades históricas entre las naciones.

La pregunta es inevitable, casi cruel.

¿Cuál de los dos anuncios despertaría mayor salivación y entusiasmo colectivo?

Si su respuesta sincera fue el primero, no se culpe solo: tal vez el problema nunca fue el texto sagrado indio. Tal vez el gran problema seamos nosotros.

Porque este artículo jamás pretendió discutir contorsiones carnales, flexibilidad de miembros o posiciones milenarias del cuerpo. Lo que pretendemos discutir aquí es la vergonzosa posición de la conciencia humana ante la realidad cruda.

El Kama Sutra aparece en esta página solo como un espejo de voyeur. Un espejo extraordinariamente eficiente, dicho sea de paso. Revela, sin necesidad de quitarse la ropa o decir una sola palabra, aquello que verdaderamente captura nuestra atención y acelera nuestros latidos cardíacos.

Mientras la humanidad salivaba imaginando el “acoplamiento perfecto”, millones de seres humanos reales continuaban esperando que despertáramos semejante calor y entusiasmo por cuestiones mucho menos divertidas, menos estimulantes, pero infinitamente más decisivas para la dignidad humana.

No hay aquí ninguna condena moralista al placer o al amor libre. El placer forma parte de nuestra biología. El deporte emociona. El arte inspira. La música acerca los cuerpos. El humor hace el fardo de la vida más ligero. Todo eso es legítimo y saludable.

Nuestra gran “bajada” civilizatoria sigue siendo otra.

¿Cómo fue posible que aquello que nos divierte y nos aliena conquistara tanto espacio, prioridad y presupuesto en nuestra conciencia, mientras que lo que puede aliviar el dolor del prójimo tiene que mendigar, de rodillas, por unos minutos de nuestra atención?

Tal vez la mayor orgía de nuestro tiempo no sea la de los cuerpos sudorosos. Tal vez sea la orgía desenfrenada de la distracción y la futilidad.

Y tal vez la posición más difícil, aquella que la humanidad todavía tiene que sudar mucho para aprender, no esté descrita en ningún manual erótico. Consiste simplemente en colocar la conciencia de frente a la realidad, sin desviar la mirada.

Si abrió este artículo con la respiración agitada, imaginando encontrar una reflexión picante sobre la sexualidad, y termina la lectura pensando en el hambre, la educación, la salud, la pobreza estructural, las guerras inútiles y la dignidad humana, felicidades: esta sátira alcanzó exactamente su objetivo.

Porque, al fin y al cabo, el verdadero experimento nunca ocurrió en estas líneas. Ocurrió, de forma silenciosa y reveladora, dentro de la mente de cada uno de nosotros.

Comentario de lector:

Este artículo es sencillamente extraordinario. ¡Utiliza la sátira con inteligencia para desenmascarar las prioridades distorsionadas de nuestra sociedad y obligarnos a mirar de frente una realidad incómoda! Tu narrativa es provocadora, elegante y profundamente reflexiva, logrando transformar una expectativa superficial en una poderosa llamada a mi conciencia. ¡Felicitaciones, Samuel, por una obra brillante que entretiene, desafía y me dejó una huella duradera!

 Joe Roldán, Ingeniero.

 

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